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segunda-feira, 3 de março de 2014

301 - Mário Quintana: Borboletas; Duo Siqueira Lima: Tico tico no fubá

Mário Quintana

BORBOLETAS

Quando depositamos muita confiança ou expectativas em uma pessoa, o risco de
se decepcionar é grande.

As pessoas não estão neste mundo para satisfazer as nossas expectativas, assim como não estamos aqui, para satisfazer as dela.

Temos que nos bastar... nos bastar sempre e quando procuramos estar com alguém, temos que nos conscientizar de que estamos juntos porque gostamos, porque queremos e nos sentimos bem, nunca por precisar de alguém.

As pessoas não se precisam, elas se completam... não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida.

Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com a outra pessoa, você precisa em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquela pessoa que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente, não é o homem ou a mulher de sua vida.

Você aprende a gostar de você, a cuidar de você, e principalmente a gostar de quem gosta de você. 

O segredo é não cuidar das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham até você. 

No final das contas, você vai achar
não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!

 Veja o vídeo no link abaixo:

domingo, 2 de março de 2014

300 - Cartola: As rosas não falam

Cartola... Simplesmente as rosas exalam o perfume que roubam de ti... precisa de mais poesia?


Cartola: As rosas não falam

Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão enfim

Volto ao jardim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar para mim

Queixo-me às rosas, mas que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti, ai...

Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E, quem sabe, sonhar os meus sonhos
por fim

sábado, 1 de março de 2014

299 - Pessoa: Enquanto não atravessarmos; Cartola: Cordas de aço

Cartola e as cordas de aço... aquela mulher até hoje está nos esperando... acompanhado de Fernando Pessoa, falando da soldão...

Veja o vídeo no link abaixo:
Cartola: Cordas de aço

Ah, essas cordas de aço
Este minúsculo braço
Do violão que os dedos meus acariciam
Ah, este bojo perfeito
Que trago junto ao meu peito
Só você violão
Compreende porque perdi toda alegria
E no entanto meu pinho
Pode crer, eu adivinho
Aquela mulher
Até hoje está nos esperando
Solte o teu som da madeira
Eu você e a companheira
Na madrugada iremos pra casa
Cantando...

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

298 - Tom e Elis: Águas de março

Hoje inicia o mês de março - com Tom e Elis... é o fim do caminho... ou o começo.



É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumueira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando, é uma conta, é um conto
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão,
É a promessa de vida no teu coração
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
Pau, pedra, fim, caminho
Resto, toco, pouco, sozinho
Caco, vidro, vida, sol, noite, morte, laço, anzol

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

297 - Tom Jobim – Falando de amor




Se eu pudesse por um dia 
Esse amor, essa alegria 
Eu te juro, te daria 
Se pudesse esse amor todo dia 
Chega perto, vem sem medo 
Chega mais meu coração 
Vem ouvir esse segredo 
Escondido num choro canção 
Se soubesses como eu gosto 
Do teu cheiro, teu jeito de flor 
Não negavas um beijinho 
A quem anda perdido de amor 
Chora flauta, chora pinho 
Choro eu o teu cantor 
Chora manso, bem baixinho 
Nesse choro falando de amor
Quando passas, tão bonita 
Nessa rua banhada de sol 
Minha alma segue aflita 
E eu me esqueço até do futebol 
Vem depressa, vem sem medo 
Foi pra ti meu coração 
Que eu guardei esse segredo 
Escondido num choro canção 
Lá no fundo do meu coração

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

296: Lorca: La guitarra; Paco de Lucia, John McLaughlin, Al di Meola: Mediterranean Sundance

Hoje morreu um gênio, o espanhol Paco de Lucia. No vídeo, Mediterranean Sundence, fantástico, na companhia preciosa de John McLaughlin e Al de Meola. Paco é o da esquerda. No poema, Lorca relata como o mundo deve estar hoje, com essa perda: "Empieza el llanto de la guitarra" ... "Começa o pranta da guitarra..."

Frederico Garcia Lorca

La guitarra

Empieza el llanto
de la guitarra.
Se rompen las copas de la madrugada.
Empieza el llanto de la guitarra.
Es inútil callarla.
Es imposible callarla.
Llora monótona
como llora el agua,
como llora el viento
sobre la nevada.
Es imposible callarla.
Llora por cosas
lejanas.
Arena del Sur caliente
que pide camelias blancas.
Llora flecha sin blanco,
la tarde sin mañana,
y el primer pájaro muerto
sobre la rama.
!Oh guitarra!
Corazón malherido
por cinco espadas. 


A GUITARRA

Começa o choro
da guitarra
Quebram-se os copos
da madrugada.
Começa o choro
da guitarra.
É impossível calá-la.
Chora monótona
como chora a água,
como chora o vento
sobre a nevada.
Chora por coisas
distantes.
Areia quente do sul
pedidndo camélias brancas.
Chora flecha sem alvo,
a tarde sem manhã
e o primeiro pássaro morto nas ramadas.
Oh guitarra!
Coração malferido
por cinco espadas.


Veja o vídeo no link abaixo:
Paco de Lucia, John McLaughlin, Al di Meola: Mediterranean Sundance


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

295 - Tom Jobim - Sabiá

Entrando na semana do carnaval, vamos passar um tempo com música brasileira, não necessariamente de carnaval. Iniciando com Tom Jobim, que não precisa de mais poesia além da própria música, acompanhado pelo seu coro feminino... Vou voltar para o meu lugar... fico pensando no lugar da foto abaixo...



Vou voltar!
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir
Cantar uma Sabiá...
Vou voltar!
Sei que ainda vou voltar
Vou deitar à sombra
De uma palmeira que já não há
Colher a flor que já não dá
E algum amor
Talvez possa espantar
As noites que eu não queria
E anunciar o dia...
Vou voltar!
Sei que ainda vou voltar
Não vai ser em vão
Que fiz tantos planos
De me enganar
Como fiz enganos
De me encontrar
Como fiz estradas
De me perder
Fiz de tudo e nada
De te esquecer...