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segunda-feira, 17 de março de 2014

315 - Chaplin: Se você tivesse acreditado; Duofel: Palhaço

Palhaço, de Egberto Gismonti está no post número 1. Hoje a mesma música, mas na interpretação do Duofel. E na poesia, o lindo texto de Chapin, “Se você tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades...”


Assista o vídeo no link abaixo:
Duofel: Palhaço

domingo, 16 de março de 2014

314 - Céu da Boca: Uva de caminhão




Veja o vídeo no link abaixo:

Céu da boca: Uva de caminhão


Já me disseram que você andou pintando o sete,
Andou chupando muita uva,
E até de caminhão,
Agora anda dizendo que está de apendicite,
Vai entrar no canivete, vai fazer operação.
Oi que tem a Florisbela nas cadeiras dela,
Andou dizendo que ganhou a flauta de bambu,
Abandonou a batucada lá na Praça Onze,
E foi dançar o pirolito lá no Grajaú.

Caiu o pano da cuíca em boas condições,
Apareceu Branca de Neve com os sete anões,
E na pensão da dona Estela foram farrear,
Quebra, quebra gabiroba quero ver quebrar,
Você no baile dos quarenta deu o que falar,
Cantando o seu Caramuru, bota o pajé pra brincar,
Tira, não tira o pajé, deixa o pajé farrear,
Eu não te dou a chupeta, não adianta chorar.

sábado, 15 de março de 2014

313 - Ferreira Gullar: Traduzir-se; Baden Powell: Prelúdio em Lá menor

Para refletir sobre as partes que somos nós...

Ferreira Gullar

Traduzir-se

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?

Veja o vídeo no link abaixo:

sexta-feira, 14 de março de 2014

312 - Pablo Neruda: Talvez ferido: Yamandu Costa e Paulo Moura: Sons de carrilhões

Hoje mais uma interpretação de Yamandu Costa, agora acompanhado por Paulo Moura...

Pablo Neruda 

TALVEZ ferido vou sem ir sangrento
por algum dos raios de tua vida
e a meia selva me detém a água:
a chuva que tomba com seu céu.

Então toco o coração chovido:
ali sei que teus olhos penetraram
pela região extensa de minha pena
e um sussurro de sombra surge só:

Quem é? Quem é? Mas não teve nome
a folha ou a água escura que palpita
a meia selva, surda, no caminho,

e assim, amor meu, soube que fui ferido
e ninguém falava ali senão a sombra,
a noite errante, o beijo da chuva.


quinta-feira, 13 de março de 2014

311 - Hilda Hilst: Se te pareço noturna e imperfeita; Yamandu Costa e Dominguinhos: Pedacinho do céu

Olhe com atenção...

Hilda Hilst

Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite 
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água desejasse.

Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.

Te olhei. E há um tempo.
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta

Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.

Veja o vídeo no link abaixo:

quarta-feira, 12 de março de 2014

310 - Legião Urbana –– O mundo anda tão complicado

Escolha a comédia... complicar pra que?

Veja o vídeo no link abaixo:
Legião Urbana –– O mundo anda tão complicado

Gosto de ver você dormir
Que nem criança com a boca aberta
O telefone chega sexta-feira
Aperto o passo por causa da garoa
Me empresta um par de meias
A gente chega na sessão das dez
Hoje eu acordo ao meio-dia
Amanhã é a sua vez
Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você.
Temos que consertar o despertador
E separar todas as ferramentas
Que a mudança grande chegou
Com o fogão e a geladeira e a televisão
Não precisamos dormir no chão
Até que é bom, mas a cama chegou na terça
E na quinta chegou o som
Sempre faço mil coisas ao mesmo tempo
E até que é fácil acostumar-se com meu jeito
Agora que temos nossa casa
é a chave que sempre esqueço
Vamos chamar nossos amigos
A gente faz uma feijoada
Esquece um pouco do trabalho
E fica de bate-papo
Temos a semana inteira pela frente
Você me conta como foi seu dia
E a gente diz um pro outro:
- Estou com sono, vamos dormir!
Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você

Quero ouvir uma canção de amor
Que fale da minha situação
De quem deixou a segurança de seu mundo
Por amor

terça-feira, 11 de março de 2014

309 - Legião Urbana – Quando o sol bater na janela do seu quarto

Até bem pouco tempo atrás, poderíamos mudar o mundo... quem roubou nossa coragem?



Veja o vídeo no link abaixo:


Quando o sol bater 
Na janela do teu quarto 
Lembra e vê 
Que o caminho é um só. 
Por que esperar se podemos começar tudo de novo 
Agora mesmo 
A humanidade é desumana 
Mas ainda temos chance 
O sol nasce pra todos 
Só não sabe quem não quer. 

Quando o sol bater 
Na janela do teu quarto 
Lembra e vê 
Que o caminho é um só. 
Até bem pouco tempo atrás 
Poderíamos mudar o mundo 
Quem roubou nossa coragem? 
Tudo é dor 
E toda dor vem do desejo 
De não sentirmos dor. 

Quando o sol bater 
Na janela do teu quarto 
Lembra e vê 
Que o caminho é um só.